A maior parte do conteúdo sobre identidade visual parte do zero: escolha suas cores, escolha suas fontes, monte um manual. Só que se você já tem site, perfil ou cartão, você já tomou essas decisões. Elas só não estão escritas em lugar nenhum, e é por isso que cada post sai um pouco diferente do anterior. Este guia mostra como recuperar o que já existe.
Por que recuperar é melhor que recomeçar
Existe uma tentação de tratar identidade visual como projeto novo. Na prática, se você já publica há algum tempo, seus clientes já associam sua marca a alguma coisa: a cor do letreiro, o tom das fotos, a fonte do cardápio.
Jogar isso fora custa reconhecimento. Recuperar e organizar custa uma tarde e mantém o que já funciona. Comece pelo que existe, e só mude o que estiver claramente atrapalhando.
Consistência vale mais que perfeição. Três cores medianas repetidas sempre funcionam melhor que uma paleta linda que muda a cada post.
Achando as cores exatas
Cor precisa virar código, não descrição. "Azul do logo" não serve, porque cada pessoa escolhe um azul diferente. O que você quer é o código hexadecimal, aquele formato de seis caracteres começando com cerquilha.
Se você tem site
O navegador entrega isso de graça. Abra o site no computador, clique com o botão direito sobre o elemento colorido e escolha inspecionar. No painel que abrir, a cor aparece como código hexadecimal ao lado de um quadradinho colorido. Anote.
Faça isso para o fundo, para o texto do título, e para o botão principal. Esses três costumam ser toda a paleta que você realmente usa.
Se você só tem perfil e fotos
- •Tire um print da arte ou da foto que melhor representa a marca.
- •Abra o print em qualquer editor de imagem, inclusive o do próprio celular, e use a ferramenta conta-gotas sobre a cor que interessa.
- •Anote o código que aparecer. Se o editor mostrar só RGB, funciona igual: o importante é ter o número, não o formato.
Cuidado com cor tirada de foto
Iluminação muda cor. O vermelho do seu letreiro fotografado à tarde não é o mesmo vermelho fotografado à noite. Se você for tirar a cor de uma foto, tire de três fotos diferentes e escolha a que parece mais próxima do que você vê ao vivo.
Descobrindo as fontes
Mesmo processo, mesma ferramenta. No site, inspecione um texto e procure a propriedade que começa com font-family. O primeiro nome da lista é a fonte que está sendo usada de verdade; os seguintes são alternativas caso a primeira não carregue.
Em imagem, sem código para inspecionar, sobra identificação visual. Existem sites que recebem um print de um texto e sugerem fontes parecidas. Funciona razoavelmente com texto grande e nítido, e mal com texto pequeno ou inclinado.
Não achou a fonte exata? Tudo bem
Fonte parecida resolve. O que quebra a consistência não é usar uma fonte ligeiramente diferente da original, é usar uma fonte diferente a cada post. Escolha a mais próxima que você tenha acesso e padronize nela.
Transformando isso em regra
Achar não basta. O que resolve o problema é escrever, porque memória não mantém padrão. Cinco linhas em qualquer bloco de notas já são um manual de marca funcional para quem tem negócio pequeno.
| O que anotar | Exemplo do que escrever |
|---|---|
| Cor principal | Código hexadecimal, usada em título e botão |
| Cor de apoio | Código hexadecimal, usada em fundo |
| Cor de destaque | Código hexadecimal, usada só em preço e chamada |
| Fonte de título | Nome da fonte e o peso, por exemplo bold |
| Fonte de texto | Nome da fonte e o peso, por exemplo regular |
| Margem | Distância fixa da borda, em pixels |
Três cores bastam, e é bem intencional que sejam poucas. Com duas você quase sempre fica limitado, e com cinco você volta ao problema de decidir a cada arte.
Sem regra escrita
Cada post começa com a pergunta que cor eu uso. A resposta muda conforme o dia, e em três meses o perfil não tem cara de nada.
Com as seis linhas
Cada post começa com o padrão já decidido. Sobra energia para pensar no conteúdo em vez de na cor do fundo.
Quando vale mudar em vez de manter
Recuperar o que existe é a regra, mas não é absoluta. Vale mudar em três casos.
- 1.A cor não tem contraste suficiente. Se o texto na sua cor principal fica difícil de ler sobre o fundo que você usa, isso não é estilo, é problema de legibilidade, e corrigir vale mais que manter.
- 2.A fonte não está disponível onde você produz. Se sua fonte original só existe num programa que você não usa mais, escolher uma parecida e acessível economiza retrabalho a cada arte.
- 3.O negócio mudou de verdade. Mudança de público, de nome ou de proposta justifica recomeçar. Cansaço de olhar para a mesma cor, não.
O erro caro é mudar pela metade
Trocar as cores e não refazer o que já está publicado deixa o perfil com duas identidades convivendo. Se for mudar, planeje atualizar também a foto de perfil, os destaques e as artes que continuam circulando. Meia mudança fica pior que nenhuma.
O jeito automático
Todo o processo acima é manual e leva uma tarde. É exatamente o tipo de trabalho repetitivo que dá para automatizar, e é por onde a tresporquatro começa.
Você informa o endereço do seu site ou do seu perfil. A plataforma lê o que está publicado e monta o conjunto sozinha: as cores com os códigos, a tipografia, o tom das imagens e o estilo do texto. O resultado é o mesmo bloco de notas da seção acima, só que preenchido para você e já ligado à produção das artes.
Dá para ver antes de assinar
O plano grátis inclui 5 créditos e não pede cartão. Dá para rodar a extração na sua marca e conferir se as cores e fontes que a gente encontrou batem com o que você reconhece como sua identidade.